E insisto nesse impertinente modo agir. Agora mais outra.
Till the end of time, também Devotchka.
They’re just words, they ain’t worth nothing
Cloud your head and push your buttons
And watch how they just disappear
When we’re far away from here
And everybody knows where this is heading
Forgive me for forgetting
Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time
Oh who put all those cares inside your head
You can’t live your life on your deathbed
And it’s been such a lovely day
Let’s not let it end this way
And everybody knows where this is heading
Forgive me for forgetting
Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time
Like sisters and brothers we lean on each other
Like sweethearts carved on a headstone
Oh why even bother, it’ll be here tomorrow
It’s not worth it sleeping alone
And look at you and me still here together
There is no one knows you better
And we’ve come such a long long way
Let’s put it off for one more day
And everybody knows where this is heading
Forgive me for forgetting
Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time
segunda-feira, 16 de julho de 2007
How it ends
Não gosto muito de reproduzir conteúdo alheio. Entretanto, como não produzo nada que preste, assim procedo.
How it ends. Devotchka.
Hold your grandmother's Bible to your breast.
Gonna put it to the test.
You want it to be blessed.
And in your heart,
You know it to be true,
You know what you gotta do.
They all depend on you.
And you already know.
Yeah, you already know how this will end.
There is no escape,
From the slave-catchers' songs.
For all of the loved ones gone.
Forever's not so long.
And in your soul,
They poked a million holes.
But you never lettem show.
C'mon it's time to go.
And
You
Already know.
Yeah, you already know
How this will end.
Now you've seen his face.
And you know that there's a place,
In the sun,
For all that you've done,
For you and your children.
No longer shall you need.
You always wanted to believe,
Just ask and you'll receive,
Beyond your wildest dreams.
And
You
Already know.
Yeah, you already know
How this will end.
You already know (You already know)
You already know (you already know)
You already love will end.
How it ends. Devotchka.
Hold your grandmother's Bible to your breast.
Gonna put it to the test.
You want it to be blessed.
And in your heart,
You know it to be true,
You know what you gotta do.
They all depend on you.
And you already know.
Yeah, you already know how this will end.
There is no escape,
From the slave-catchers' songs.
For all of the loved ones gone.
Forever's not so long.
And in your soul,
They poked a million holes.
But you never lettem show.
C'mon it's time to go.
And
You
Already know.
Yeah, you already know
How this will end.
Now you've seen his face.
And you know that there's a place,
In the sun,
For all that you've done,
For you and your children.
No longer shall you need.
You always wanted to believe,
Just ask and you'll receive,
Beyond your wildest dreams.
And
You
Already know.
Yeah, you already know
How this will end.
You already know (You already know)
You already know (you already know)
You already love will end.
por Joachim Ziemssen
às
09:51
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
ouvir
Braços doloridos, imprestáveis.
Barba rala e feia, por fazer.
Sem vaidade.
Esperando por
uma voz não que não ouviu.
De um rosto estático em vermelho
que se faz interessante
Barba rala e feia, por fazer.
Sem vaidade.
Esperando por
uma voz não que não ouviu.
De um rosto estático em vermelho
que se faz interessante
por Joachim Ziemssen
às
18:23
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segunda-feira, 9 de julho de 2007
Toada de Portalegre, José Régio
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- Quis-lhe bem como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
(Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem fôr,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante de uma janela
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tosse e gela
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda
Derredor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos e sobreiros
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...
Ora agora,
Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
Á qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere ... e consola
Com o próprio mal que faz?
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...
Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!
O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixando só, nulo, vácuos,
A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
Ou se um filho me nascera.
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- Quis-lhe bem como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego.
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
(Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem fôr,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante de uma janela
Toda aberta ao sol que abrasa,
Ao frio que tosse e gela
E ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda
Derredor da minha casa,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos e sobreiros
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
Serras deitadas nas nuvens,
Vagas e azuis da distância,
Azuis, cinzentas, lilases,
Já roxas quando mais perto,
Campos verdes e Amarelos,
Salpicados de Oliveiras,
E que o frio, ao vir, despia,
Rasava, unia
Num mesmo ar de deserto
Ou de longínquas geleiras,
Céus que lá em cima, estrelados,
Boiando em lua, ou fechados
Nos seus turbilhões de trevas,
Pareciam engolir-me
Quando, fitando-os suspenso
Daquele silêncio imenso,
Sentia o chão a fugir-me,
- Se abriam diante dela
Daquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego...
Ora agora,
Que havia o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Que havia o vento suão
De se lembrar de fazer?
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
Á qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Como é que o vento suão
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão,
Me trouxe a mim que, dizia,
Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere ... e consola
Com o próprio mal que faz?
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...
Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!
Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!
O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixando só, nulo, vácuos,
A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...
E era então que sucedia
Que em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Aos pés lá da casa velha
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casa que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- A minha acácia crescia.
Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!
E a cada raminho novo
Que a tenra acácia deitava,
Será loucura!..., mas era
Uma alegria
Na longa e negra apatia
Daquela miséria extrema
Em que vivia,
E vivera,
Como se fizera um poema,
Ou se um filho me nascera.
por Joachim Ziemssen
às
07:20
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Cântigo Negro, José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
por Joachim Ziemssen
às
07:11
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Estar
Tão só.
Ouço o rumor do ventilador,
o disco rígido roncando,
abafado.
A tela oscilando.
Todos os dias.
sem alma por perto
horas a fio
garrafa térmica
café, as mãos tremem
sem doçura.
Barulhos na rua, pessoas vivem
locomovem-se, trabalham, ruidosas.
Todos os dias.
Tão só.
Às vezes tomado de pânico
de vozes ausentes.
Ouço o rumor do ventilador,
o disco rígido roncando,
abafado.
A tela oscilando.
Todos os dias.
sem alma por perto
horas a fio
garrafa térmica
café, as mãos tremem
sem doçura.
Barulhos na rua, pessoas vivem
locomovem-se, trabalham, ruidosas.
Todos os dias.
Tão só.
Às vezes tomado de pânico
de vozes ausentes.
por Joachim Ziemssen
às
10:37
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domingo, 11 de fevereiro de 2007
Doce lar
Aqui comunica-se por gritos
Seja com um bebê ou com o mais idoso
O que vale é a quantidade de decibéis
É de se pensar que todos gostam de exibir
Por gritos e berros, lancinantes e bárbaros,
Suas possantes vozes
Surdos há em toda parte
E aqui em profusão.
Aqueles que ouvem bem, logo ensurdecem
E como loucos passam a gritar.
Seja com um bebê ou com o mais idoso
O que vale é a quantidade de decibéis
É de se pensar que todos gostam de exibir
Por gritos e berros, lancinantes e bárbaros,
Suas possantes vozes
Surdos há em toda parte
E aqui em profusão.
Aqueles que ouvem bem, logo ensurdecem
E como loucos passam a gritar.
por Joachim Ziemssen
às
16:38
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terça-feira, 3 de outubro de 2006
Starsailor
If I ever let you down,
Would you ever feel the ground?
Would you ever feel the ground?
por Joachim Ziemssen
às
14:20
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segunda-feira, 13 de março de 2006
Anda-te
Todos os dias
Inexoralvemente
ora cálida, ora fria
ora chuvosa, mal humorada
ora luminosa e radiante
sempre e em espasmos lancinantes
teu rosto, teu cheiro me passam pela memória
como se tu estivesses aqui
mas ficas aqui, como um espectro
na minha poética ruim
Inexoralvemente
ora cálida, ora fria
ora chuvosa, mal humorada
ora luminosa e radiante
sempre e em espasmos lancinantes
teu rosto, teu cheiro me passam pela memória
como se tu estivesses aqui
mas ficas aqui, como um espectro
na minha poética ruim
por Joachim Ziemssen
às
00:39
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
Everything Beautiful Is Far Away
He just finished
Eating dinner
And stepped outside the cave to smoke
A cigarette he'd made
From rolled up photo paper
They were pictures of things back on earth
He looked out
On the grayish white expanse
Of uninhabited terrain
He now called home
He'd seen plenty
Mirages and imaginary visitors
Up until then
So he wasn't sure what to think when
He saw swans
And they were wading on the shores
Of a pale white lake
He had never seen there before
And it was quite beautiful
And it was far away
Cause everything beautiful is far away
He knew he was as good as gone
But gone was somewheres
He really didn't mind going to
Since the shuttle had crashed
Many years had passed
And the pictures of his loved ones
That he drew on the walls of the cave
Had finally faded
He put out his smoke
And proceeded towards the lake
Repeating to himself
Everything beautiful is far away.
Grandaddy - Under the western freeway, 2001
Eating dinner
And stepped outside the cave to smoke
A cigarette he'd made
From rolled up photo paper
They were pictures of things back on earth
He looked out
On the grayish white expanse
Of uninhabited terrain
He now called home
He'd seen plenty
Mirages and imaginary visitors
Up until then
So he wasn't sure what to think when
He saw swans
And they were wading on the shores
Of a pale white lake
He had never seen there before
And it was quite beautiful
And it was far away
Cause everything beautiful is far away
He knew he was as good as gone
But gone was somewheres
He really didn't mind going to
Since the shuttle had crashed
Many years had passed
And the pictures of his loved ones
That he drew on the walls of the cave
Had finally faded
He put out his smoke
And proceeded towards the lake
Repeating to himself
Everything beautiful is far away.
Grandaddy - Under the western freeway, 2001
por Joachim Ziemssen
às
13:49
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2006
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Recordar-se a calar-se
Relembrar de tempos idos que foram bons e ser rechaçado. É como relembrar um afago maternal, dos tempos criança, e ser repreendido pela mãe. Amargo.
por Joachim Ziemssen
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18:01
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sábado, 7 de janeiro de 2006
Saudades
"Eu, agora, que desfecho,
já nem lembro mais de ti.
Mas será que nunca deixo
de lembrar que te esqueci?"
— Mário Quintana
"não faz diferença
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia"
— Martha Medeiros
já nem lembro mais de ti.
Mas será que nunca deixo
de lembrar que te esqueci?"
— Mário Quintana
"não faz diferença
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia"
— Martha Medeiros
por Joachim Ziemssen
às
00:05
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2006
Grass
A vida segue,
O moinho mói,
O Víslula corre,
E o Reno também,
O mar lambe a areia
A areia lambe o mar,
Os olhos inundam-se,
A tua vida segue.
O moinho mói,
O Víslula corre,
E o Reno também,
O mar lambe a areia
A areia lambe o mar,
Os olhos inundam-se,
A tua vida segue.
por Joachim Ziemssen
às
00:05
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domingo, 11 de setembro de 2005
Macht
Não é por aí
Com esses teus olhos rasos
enormes, claros, expressivos
com essas tuas marcas, sorrisos, quadrados
estes teus ossos, crassos,
tuas faces longas, estreitas.
Fazem-me sentir saudades e a repulsa de ti.
Pois de ti fizeste-me teu súdito: do teu amor — que sempre fora unicamente meu.
E do teu destempero, inimigo, refém dele.
Livro-me de ti, das tuas faces expressivas.
Amo a outra.
Com esses teus olhos rasos
enormes, claros, expressivos
com essas tuas marcas, sorrisos, quadrados
estes teus ossos, crassos,
tuas faces longas, estreitas.
Fazem-me sentir saudades e a repulsa de ti.
Pois de ti fizeste-me teu súdito: do teu amor — que sempre fora unicamente meu.
E do teu destempero, inimigo, refém dele.
Livro-me de ti, das tuas faces expressivas.
Amo a outra.
por Joachim Ziemssen
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21:59
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Elogio da Maldade
Ato I
Cena 1
Euclião — Estáfila
Euclião — Sai: estou mandando. Vamos, sai. Por Hércules, é preciso que vás para fora, espiã com esses teus olhos que esmiúçam tudo.
Estáfila — Mas porque bates em mim, uma pobre infeliz?
Euclião — Para que sejas mesmo infeliz, e para que, má, como és, leves uma vida infeliz, digna de tua maldade.
Estáfila — Mas porque motivo me puseste agora para fora de casa?
Euclião — Devo, acaso, dar-te as razões do que faço, armazém de pancadas? Bota-te bem para fora da porta. Para lá por favor. Vejam só como anda! É, mas sabes que é que te espera? Por Hércules, que se eu tiver na mão um pau ou aguilhão, eu mostro como alongar esse passo de tartaruga.
Estáfila — Antes que me levassem os deuses à forca que servir-te deste jeito.
Euclião — Como resmunga esta bandida! Por Hércules, que eu te vazarei esse olhos, sem vergonha, para que não possas andar espiando tudo o que eu faço. Afasta-te; mais; mais; mais... Basta! Para aí! Por Hércules, que, se saíres desse lugar por um dedo, uma unha, ou se olhares para trás, sem ordem minha, por Hércules, eu te mandarei, na mesma hora, crucificar, para aprenderes. O que sei é que nunca vi alguém mais patife que esta velha, e que tenho um medo horrível de que, quando eu menos esperar, ela, de traição, não me pregue uma peça, e não fareje onde está escondido o ouro. Ela tem um olho também na parte posterior da cabeça, a infame. Vou já ver se o ouro está como o deixei. Pobre de mim, ela me atormenta de todo jeito.
Estáfila — Por Cástor, não serei eu capaz de dizer que mal aconteceu ao meu senhor, não sou capaz de imaginar de que loucura está possuído. À coitada de mim, com estão vendo, põe-me, num dia, dez vezes fora de casa. Por Pólux, não sei que fúrias se apoderam desse homem. Leva as noites todas em claro; e os dias, passa-os todos em casa, com um sapateiro coxo. E não sei como ainda continuam a esconder-lhe a desonra da filha; sua hora se aproxima. Só me resta — eu acho — transformar-me num i maiúsculo, com um nó corredio no pescoço.
PLAUTO. Aulularia (A Comédia da Panelinha), Trad. Aída Costa. São Paulo, Difel, 1967, pp. 76-78.
Cena 1
Euclião — Estáfila
Euclião — Sai: estou mandando. Vamos, sai. Por Hércules, é preciso que vás para fora, espiã com esses teus olhos que esmiúçam tudo.
Estáfila — Mas porque bates em mim, uma pobre infeliz?
Euclião — Para que sejas mesmo infeliz, e para que, má, como és, leves uma vida infeliz, digna de tua maldade.
Estáfila — Mas porque motivo me puseste agora para fora de casa?
Euclião — Devo, acaso, dar-te as razões do que faço, armazém de pancadas? Bota-te bem para fora da porta. Para lá por favor. Vejam só como anda! É, mas sabes que é que te espera? Por Hércules, que se eu tiver na mão um pau ou aguilhão, eu mostro como alongar esse passo de tartaruga.
Estáfila — Antes que me levassem os deuses à forca que servir-te deste jeito.
Euclião — Como resmunga esta bandida! Por Hércules, que eu te vazarei esse olhos, sem vergonha, para que não possas andar espiando tudo o que eu faço. Afasta-te; mais; mais; mais... Basta! Para aí! Por Hércules, que, se saíres desse lugar por um dedo, uma unha, ou se olhares para trás, sem ordem minha, por Hércules, eu te mandarei, na mesma hora, crucificar, para aprenderes. O que sei é que nunca vi alguém mais patife que esta velha, e que tenho um medo horrível de que, quando eu menos esperar, ela, de traição, não me pregue uma peça, e não fareje onde está escondido o ouro. Ela tem um olho também na parte posterior da cabeça, a infame. Vou já ver se o ouro está como o deixei. Pobre de mim, ela me atormenta de todo jeito.
Estáfila — Por Cástor, não serei eu capaz de dizer que mal aconteceu ao meu senhor, não sou capaz de imaginar de que loucura está possuído. À coitada de mim, com estão vendo, põe-me, num dia, dez vezes fora de casa. Por Pólux, não sei que fúrias se apoderam desse homem. Leva as noites todas em claro; e os dias, passa-os todos em casa, com um sapateiro coxo. E não sei como ainda continuam a esconder-lhe a desonra da filha; sua hora se aproxima. Só me resta — eu acho — transformar-me num i maiúsculo, com um nó corredio no pescoço.
PLAUTO. Aulularia (A Comédia da Panelinha), Trad. Aída Costa. São Paulo, Difel, 1967, pp. 76-78.
por Joachim Ziemssen
às
22:05
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