terça-feira, 3 de outubro de 2006

Starsailor

If I ever let you down,
Would you ever feel the ground?

segunda-feira, 13 de março de 2006

Anda-te

Todos os dias
Inexoralvemente
ora cálida, ora fria
ora chuvosa, mal humorada
ora luminosa e radiante
sempre e em espasmos lancinantes
teu rosto, teu cheiro me passam pela memória
como se tu estivesses aqui
mas ficas aqui, como um espectro
na minha poética ruim

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Everything Beautiful Is Far Away

He just finished
Eating dinner
And stepped outside the cave to smoke
A cigarette he'd made
From rolled up photo paper
They were pictures of things back on earth
He looked out
On the grayish white expanse
Of uninhabited terrain
He now called home

He'd seen plenty
Mirages and imaginary visitors
Up until then
So he wasn't sure what to think when
He saw swans
And they were wading on the shores
Of a pale white lake
He had never seen there before
And it was quite beautiful
And it was far away
Cause everything beautiful is far away

He knew he was as good as gone
But gone was somewheres
He really didn't mind going to
Since the shuttle had crashed
Many years had passed
And the pictures of his loved ones
That he drew on the walls of the cave
Had finally faded
He put out his smoke
And proceeded towards the lake
Repeating to himself
Everything beautiful is far away.

Grandaddy - Under the western freeway, 2001

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Ame

selos de cigarros, aguardente e demais bebidas
guardados um a um
para uma caixinha porta-cigarros

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Recordar-se a calar-se

Relembrar de tempos idos que foram bons e ser rechaçado. É como relembrar um afago maternal, dos tempos criança, e ser repreendido pela mãe. Amargo.

sábado, 7 de janeiro de 2006

Saudades

"Eu, agora, que desfecho,
já nem lembro mais de ti.
Mas será que nunca deixo
de lembrar que te esqueci?"
— Mário Quintana

"não faz diferença
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia"
— Martha Medeiros

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Grass

A vida segue,
O moinho mói,
O Víslula corre,
E o Reno também,
O mar lambe a areia
A areia lambe o mar,
Os olhos inundam-se,
A tua vida segue.

domingo, 11 de setembro de 2005

Macht

Não é por aí
Com esses teus olhos rasos
enormes, claros, expressivos
com essas tuas marcas, sorrisos, quadrados
estes teus ossos, crassos,
tuas faces longas, estreitas.
Fazem-me sentir saudades e a repulsa de ti.
Pois de ti fizeste-me teu súdito: do teu amor — que sempre fora unicamente meu.
E do teu destempero, inimigo, refém dele.
Livro-me de ti, das tuas faces expressivas.
Amo a outra.

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Elogio da Maldade

Ato I
Cena 1

Euclião — Estáfila
Euclião — Sai: estou mandando. Vamos, sai. Por Hércules, é preciso que vás para fora, espiã com esses teus olhos que esmiúçam tudo.
Estáfila — Mas porque bates em mim, uma pobre infeliz?
Euclião — Para que sejas mesmo infeliz, e para que, má, como és, leves uma vida infeliz, digna de tua maldade.
Estáfila — Mas porque motivo me puseste agora para fora de casa?
Euclião — Devo, acaso, dar-te as razões do que faço, armazém de pancadas? Bota-te bem para fora da porta. Para lá por favor. Vejam só como anda! É, mas sabes que é que te espera? Por Hércules, que se eu tiver na mão um pau ou aguilhão, eu mostro como alongar esse passo de tartaruga.
Estáfila — Antes que me levassem os deuses à forca que servir-te deste jeito.
Euclião — Como resmunga esta bandida! Por Hércules, que eu te vazarei esse olhos, sem vergonha, para que não possas andar espiando tudo o que eu faço. Afasta-te; mais; mais; mais... Basta! Para aí! Por Hércules, que, se saíres desse lugar por um dedo, uma unha, ou se olhares para trás, sem ordem minha, por Hércules, eu te mandarei, na mesma hora, crucificar, para aprenderes. O que sei é que nunca vi alguém mais patife que esta velha, e que tenho um medo horrível de que, quando eu menos esperar, ela, de traição, não me pregue uma peça, e não fareje onde está escondido o ouro. Ela tem um olho também na parte posterior da cabeça, a infame. Vou já ver se o ouro está como o deixei. Pobre de mim, ela me atormenta de todo jeito.
Estáfila — Por Cástor, não serei eu capaz de dizer que mal aconteceu ao meu senhor, não sou capaz de imaginar de que loucura está possuído. À coitada de mim, com estão vendo, põe-me, num dia, dez vezes fora de casa. Por Pólux, não sei que fúrias se apoderam desse homem. Leva as noites todas em claro; e os dias, passa-os todos em casa, com um sapateiro coxo. E não sei como ainda continuam a esconder-lhe a desonra da filha; sua hora se aproxima. Só me resta — eu acho — transformar-me num i maiúsculo, com um nó corredio no pescoço.

PLAUTO. Aulularia (A Comédia da Panelinha), Trad. Aída Costa. São Paulo, Difel, 1967, pp. 76-78.