quarta-feira, 6 de abril de 2011

69.

Já te mencionei, querida,

a ciclovia que tem naquela avenida que sempre tenho de cruzar. Construída no meio do canteiro central pobremente arborizado, com rochas irregulares e feias em sua extensão; compõe a paisagem os respiros das galerias duplas do córrego subterrâneo, os quais exalam o fedor persistente da água podre que nele circula. Os respiros têm os muros brancos, de pouco mais de um metro e meio de altura, às vezes menos, uns retangulares, outros quadrados, os quais tem dois níveis, um mais raso que é feito de cama para os que moram na rua, entre baratas, odores fétidos e ratazanas, com andrajos jogados desordenadamente, feito cama numa toca à céu aberto, e, por fim, um degrau que acessa o nível mais baixo onde se vê a água cinza esverdeada do córrego; os mais estreitos dão direto para o leito, impossíveis de serem ocupados como moradia improvisada. Há, porém, um outro tipo de respiro: de muros baixos e uma rampa para acessar o fundo do córrego, abaixo cinco metros, talvez, do nível do passeio; embora haja rampa, não se vê portões ou algo que o valha, apenas paredes de concreto ao fundo, não imagino a finalidade desse tipo de construção.

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