terça-feira, 29 de março de 2011

60.

(ontem)

Querida,

às vezes os sonhos são estranhos, ora doces, ternos, permeados de reminiscências sentimentais; ora se conformam como pesadelos sempre aflitivos; tenho estranhado a persistência de quadros, acontecimentos irreais, não obstante imensamente desejados, que me sobrevém já há algumas semanas. Têm a tessitura do real e mesmo seus efeitos no sono e no exato momento do despertar; nesses sonhos tenho estado perto de ti,  a ler, falar, comer, andar, beber, mesmo a nos preparar para dormir, e isto tem me trazido a realização de tua presença aqui ao meu lado imediatamente esvanecida no momento em que, desperto, contemplo a ampla cama vazia de ti. Fico sentado na cama a fitar o teu canto na nela com os olhos cheios de enlevo, a recordar a doçura que se vai, que se perde, terminada ao cabo do sonho, do sono, do descanso, do fim da noite e início do dia, de mais uma jornada com a consciência recobrada, a me dizer: não estás mais aqui.

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